Intercâmbio às Cegas no Canadá Parte I – Antes da Viagem

Olá pessoal!

Para estrear nosso blog sobre turismo e entretenimento, vamos contar para vocês sobre uma das experiências mais legais que meu marido e eu vivemos em todos esses anos: encarar uma viagem ao Canadá para um mês de intercâmbio.
Neste post, contamos como tudo começou e como nos preparamos para esta aventura!

Antes da Viagem

Sempre fomos fascinados pela ideia de conhecer outros países. Quando não se consegue ver na tela da TV como são as ruas, as pessoas, as paisagens e tudo mais, fica uma sensação de curiosidade bem difícil de preencher.
Depois que casamos, vários de nossos amigos e familiares fizeram viagens internacionais, tanto a passeio, a trabalho como a estudo. A gente ia para a casa deles e assistíamos, meio desolados, junto com o restante dos convivas, a interessante, porém interminável exibição de fotografias e filmagens. Não que as pessoas não nos descrevessem as imagens, elas até faziam isso. Mesmo assim, cada vez que ouvíamos alguém nos explicar algo, a nossa vontade de sentir na pele tudo o que as fotos mostravam só aumentava.

Passados alguns anos, começamos a pensar na possibilidade de viver uma experiência internacional de fato nossa. Precisaríamos encarar sozinhos um país diferente para, em fim, termos o que contar a nós próprios e aos outros.
Como sempre estudamos inglês, a possibilidade de fazer um intercâmbio nos pareceu bastante atraente. Então um dia, em meados de 2010, decidi colocar a mão na massa e pesquisar quais eram as opções mais viáveis.

Como somos cegos, precisávamos de uma cidade que nos desse o mínimo de acessibilidade para locomoção e segurança. Ainda sim, por mais que o nosso nível de inglês fosse avançado, esta seria nossa primeira viagem internacional sozinhos e não poderíamos correr riscos muito altos de comunicação. Portanto, o inglês falado na cidade deveria ser o mais próximo do sotaque a que estávamos habituados. E, como tínhamos somente 4 semanas de férias, buscávamos por uma cidade não tão longe, e ainda com boas opções de entretenimento.

Depois de pesquisar bastante, fomos à uma agência tradicional que realiza intercâmbios. Ao conversarmos com a agente de viagem, ela nos propôs a cidade de Vancouver no Canadá, que na verdade já era uma das mais cotadas da minha lista.
Surpreendentemente, a profissional foi exemplar, nos recebeu e orientou com naturalidade, concordou que precisávamos de uma cidade bem acessível, que possuísse um bom sistema de transporte coletivo e tal, mas nada de indelicadezas com o fato de sermos cegos e estarmos indo sozinhos.
Nos explicou, ainda, que poderíamos escolher o programa para nos hospedar em casa de família, uma opção bastante confiável pois as próprias escolas cuidam de fazer a seleção da família e a alocação dos estudantes. Ela apenas iria comunicar a escola para que esta garantisse que a família escolhida soubesse que éramos deficientes visuais e também que a residência ficasse estrategicamente perto de paradas de ônibus ou metrô.

Acostumados como estamos a ser questionados em tudo e para tudo por sermos cegos, me pareceu um sonho que o processo tenha ocorrido da forma digna e tranquila que ocorreu. A noite quente, meu aniversário por chegar no dia seguinte e o cheiro das cafeterias nos arredores da agência em que estávamos fechavam o cenário. Em menos de duas horas e sem qualquer tipo de questionamento, nossa tão desejada viagem internacional começava a se tornar realidade. Naquele dia, me senti muito próxima de ser alguém comum e normal. Ganhamos um café de brinde em um local próximo e este foi um dos melhores cafés que já bebemos.

Preparativos

Então começaram os trâmites burocráticos, foi abrir a carteira, entregar e relaxar: passaporte, visto, escola, família, avião, seguro saúde, malas, roupas e por aí vamos adiante.
Adquirimos o pacote em Fevereiro e viajaríamos em Agosto.
Sob o ponto de vista de acessibilidade, nada a declarar. Algumas coisas, como pagar, são universais. Apenas vamos referir que o processo do passaporte foi bem tranquilo, com agendamentos e processos muito bem assistidos sempre em locais de fácil acesso e com atendimento exemplar em todas as etapas.

Por volta de Julho, agora já mais experientes e mais pobres, começamos a trocar os primeiros e-mails com a família que iria nos receber. Estávamos cada vez mais ansiosos, a coisa iria mesmo acontecer!

No próximo post, vamos contar um pouco mais de como foi a nossa ida efetivamente para o Canadá e das nossas primeiras impressões daquele país.

Mas antes …

Encrencas, por Marlon

Havia uma preocupação sobre como contar para minha família que eu iria viajar para fora do país. Decidimos anunciar discretamente para minha mãe e irmãs uns dois meses antes da viagem, mas só contaríamos ao meu pai quando a viagem acontecesse de fato para que ele não se preocupasse demais antes da hora. Assim foi planejado … mas será que funcionou?

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